Hipnose feita por leigos

Por Flávio Pereira - Psicólogo em Curitiba

mbhypnosis1Por que não é sábio fazer hipnose com hipnólogos que não tem formação acadêmica na área de saúde mental?

Hipnólogos sem formação acadêmica em saúde mental são pessoas leigas, despreparadas, que usam a hipnose como procedimento para tratar de doenças, podem colocar sua saúde física e mental em risco!

Você deixaria a construção da sua casa na mão de um leigo/amador ou na mão de um engenheiro civil ou arquiteto?

Você faria tratamento de saúde com um mecânico de automóveis ou com um médico?

Você faria tratamento de saúde com um falso médico ou com um médico formado?

O perigo de fazer “tratamento” com hipnólogos leigos é este:

1. Eles não têm formação acadêmica nas ciências biológicas: anatomia, fisiologia, genética e outras importantes matérias.

2. Eles não têm formação acadêmica nas ciências psicológicas e psiquiátricas: psicopatologia, psicodiagnóstico, psicoterapia, fenômenos e exames psíquicos, farmacologia (medicamentos), etc.

3. Eles não têm formação acadêmica em neurociências: neurofisiologia, neuranatomia, neuropsicologia, etc.

Sem o conhecimento nas matérias mencionadas e outras, eles não têm nenhuma competência técnica para atuar como terapeutas tratando de enfermidades.

Como pode um  hipnólogo leigo usar a hipnose como método de tratamento se ele não conhece os mecanismos do cérebro e da mente?

Como pode um hipnólogo leigo usar a hipnose como método de tratamento se ele não conhece e nem pode praticar a psicoterapia?

4. Eles não passaram por estágios supervisionados nas faculdades na área de saúde.

Eles não receberam orientação de outros profissionais, mais experientes, nem comprovaram sua competência realizando provas de capacitação.

5. Eles não podem fazer tratamento com equipe multidisciplinar (por exemplo: médico + psicólogo + fisioterapeuta), porque não tem a formação acadêmica na área de saúde. O procedimento multidisciplinar é fator importante no sucesso no tratamento das doenças.

6. Eles não têm um código de ética profissional que regula e fiscaliza a atuação do profissional. Um médico que use inadequadamente a hipnose pode ser punido pelo Conselho Regional de Medicina. O falso hipnólogo vai ser punido por quem?

Outras matérias acadêmicas importantes desconhecidas dos hipnólogos leigos:

Psicologia da Personalidade
Tratamento de Pacientes de Risco
Nosologia  e Nosografia (estudo, descrição e classificação das doenças)
Análise Comportametal
Psicossomática
Metodologia Cientítica
Técnicas de Entrevista e Aconselhamento
Teorias e Técnicas Psicoterápicas

Pode falar mais sobre os perigos no “tratamento” com pseudo-hipnólogos?

Muitos são os perigos. Examinemos alguns.

1. Os hipnólogos leigos não sabem fazer diagnósticos diferenciais de enfermidades. Eles desconhecem as diferenças sutis entre os diversos transtornos mentais, entre as doenças físicas e também as doenças psicossomáticas.  Como resultado a causa exata da doença não é tratada. Pior é que os  hipnólogos leigos usam outras terapias, chamadas de “holísticas”, não reconhecidas pelas comunidades científicas. O paciente continua com o problema, que pode se agravar com o falso tratamento. O paciente gasta dinheiro e tempo inutilmente.

Como a hipnose não é método único de tratamento, mas auxiliar, o hipnólogo leigo não tem como tratar adequadamente a enfermidade, pois ele não tem a competência técnica sobre as demais terapias, psicológicas e medicamentosas, nem atua com equipe multidisciplinar séria.

2. O hipnólogo leigo pode se aproveitar da fragilidade do paciente e fazer sugestões indevidas. Ele pode explorar a boa fé do pessoa.

3. O hipnólogo leigo pode dizer coisas impróprias para o paciente. Por exemplo: pode rotular a pessoa com um termo psiquiátrico ou popular e disparar uma crença na mente do paciente.

4. O hipnólogo leigo, por ignorância ou má fé, também pode tentar tratar uma doença que não existe e criar outra, uma doença mental, desenvolvida pela crença do cliente.

5. Perigo do misticismo/curandeirismo. Hipnólogos leigos geralmente estão na contra-mão da ciência, gostam de “ciências” ocultas, esoterismo, misticismo, tratamentos “milagrosos”, magia, crendices, forças “sobrenaturais”, “mistérios”, justamente porque desconhecem como a ciência atua ou preferem viver nos meios “alternativos” ou “holísticos”. A ciência busca a verdade, a transparência dos procedimentos, as comprovações com rigorosos métodos, para não por em risco a vida e a saúde das pessoas.

Nota: nada impede que uma pessoa estude assuntos considerados não científicos. O problema é quando o hipnólogo leigo chama de “ciência” o que não foi comprovado pelos órgãos científicos internacionais e cria a sua ciência própria como forma de “tratamento”, colocando a saúde das pessoas em risco. Basta dar uma olhada nos sites de alguns hipnólogos leigos e ver como eles misturam hipnose com outros métodos bizarros, não científicos. Para um remédio ser lançado ele passa por rigorosos procedimentos científicos. O mesmo acontece com as psicoterapias que são estudadas e validadas nas universidades.

6. Durante a hipnose pode ocorrer a evocação de um trauma psicológico e o hipnólogo não saber lidar com o problema.

7. O hipnólogo leigo usando a hipnose pode remover um sintoma sem saber a que finalidade o sintoma serve. O sintoma pode ser um aviso de uma doença e o paciente continuará com ela, porque a causa dela não foi removida.

Como os hipnólogos leigos aprendem a hipnotizar?

Eles fazem cursos com outros hipnólogos ou lêem livros sobre o assunto. Os cursos dos hipnólogos leigos não são reconhecidos oficialmente. Os cursos sérios e reconhecidos por entidades oficiais só aceitam como alunos os médicos, os psicólogos e os dentistas. Cada um destes profissionais atua com a hipnose dentro da sua especialidade. Por exemplo: um destista usará a hipnose para aliviar a dor de dente do paciente. POR ÉTICA o dentista não fará tratamento de transtornos da mente, pois não tem a formação acadêmica na área.  A diferença entre o profissional e o charlatão é que este não é ético, não tem formação na área de saúde.

O que fazer diante deste problema?

O bom cidadão, o cidadão ético, faz denúncias aos órgãos competentes. Nos países de primeiro mundo a denúncia faz parte da vida dos cidadãos éticos.

É importante e ético denunciar os charlatães – pessoas que querem passar por médicos ou psicólogos, usando títulos de “terapeutas” ou hipnoterapeutas, os quais procuram tratar de doenças – e não tem a mínima formação acadêmica na área de saúde.

É importante saber que profissionais (médicos, psicólogos, dentistas) que se associam a pessoas que não usam métodos científicos e reconhecidos por órgãos oficiais (como é o caso da “terapia de vidas passadas”), podem ter o seu diploma cassado pelos respectivos Conselhos, basta fazer a denúncia.

Conselho Regional de Medicina – Pr. Telefone (41) 3240-4000

Conselho Regional de Psicologia – Pr Telefone (41) 3013-5766

Conselho Regional de Odontologia – Pr. Telefone (41) 3025-9500

Também é importante e ético denunciar os profissionais formados na área de saúde que se associam aos charlatães.

Veja o que diz a resolução do Conselho Federal de Medicina sobre o falso hipnólogo:

Portanto, sendo reservada a estes profissionais (médicos, psicólogos, odontólogos), e até por encerrar complicações e conter contra-indicações, sua utilização por pessoas leigas configura-se como curandeirismo, ilícito jurídico definido no Código Penal, em seu artigo 282, in verbis

“Exercer curandeirismo:
I – Prescrevendo, ministrando ou aplicando habitualmente qualquer substância;
II – Usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III – Fazendo diagnósticos.

Pena, detenção de seis meses a dois anos

Entendemos, também, que este Conselho Federal deve recomendar a todos os Regionais especial atenção ao exercício desta prática por profissionais não-médicos, principalmente em exibições públicas, tomando as medidas policiais e judiciais cabíveis.
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Mais detalhes sobre a Legislação: clique aqui.
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Na hipnose pode-se fazer regressão a “vidas passadas”?

A possibilidade do paciente apresentar fenômenos de hipermnésia (aumento das lembranças), de lembrar das fases infantis, de acontecimentos em outras fases da vida atual, leva pseudo-terapeutas a explorar a hipnose sugerindo ao paciente que existem outras vidas, dimensões ou lembranças na fase fetal. O perigo da hipnose é o seu mau uso e a falta de ética dos pseudo-terapeutas: eles sugestionam o paciente – que está frágil e mais sensível à hipnose – a lembrar de “outras vidas”, formar delírios e crenças absurdas e nelas acreditar. O resultado é que o paciente pode piorar o seu estado físico e psicológico, ficar dependente das “terapias” bizarras, perder tempo e dinheiro.

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Psicólogo Flávio Roberto Pereira

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