Meditação cura doenças

Por Flávio Pereira - Psicólogo em Curitiba

Objetivos básicos da meditação

1. Através da concentração, tornar o praticante mais consciente de si mesmo e a ser mais feliz.
2. Proporcionar ao praticante explorar seus potenciais interiores na sua totalidade.

Enquanto a sociedade nos induz a criar razões exteriores (bens, objetivos, filosofias, crenças, etc.), e a nos dispersarmos nelas para encontrarmos a felicidade, na meditação a pessoa encontrará a sua própria fórmula da felicidade ou motivo interior, concentrando-se na sua simples existência.

Benefícios da meditação

Sensação de bem-estar, serenidade, alegria, paz profunda, maior percepção, maior concentração, equilíbrio, confiança, prazer, sem ter uma razão específica.

O que não é meditação

Meditação não é filosofia, nem religião, nem estilo de vida. Para meditar você não precisa ter uma religião, uma crença, adotar uma nova religião, abandonar a sua religião, ser ateu, pertencer a grupos de estudos filosóficos ou esotéricos, fazer ioga, adotar posturas corporais exóticas, fazer gestos diferentes, usar roupas indianas, fazer práticas místicas, estudar o pensamento de filósofos, estudar psicologia, levar um vida diferente, mudar a alimentação, desfazer-se de suas coisas, fazer tipo excêntrico, isolar-se das pessoas, usar alargador de orelhas, anéis com símbolos esotéricos, colares, mantos, mudar o corte de cabelo;deixar de beber, fumar, fazer sexo, comer carne; tomar chás especiais ou qualquer tipo de droga lícita ou ilícita; para meditar você não precisa fazer hipnose, auto-hipnose, tentar contato com “vidas passadas” ou supostos seres de outros planetas, fazer “viagem astral”; você não precisa usar incensos, praticar terapias alternativas, seguir um mestre ou guru, adotar livros ditos sagrados, usar florais ou homeopatia, fazer massagens orientais; não precisa de aparelhos, preces ou qualquer coisa externa ou interna. Você não precisa ficar em posição de iogue. Você não precisa ser uma pessoa séria, sisuda, estranha, bizarra, triste e introspectiva.

Nada é exigido de quem quer praticar meditação.
A meditação não prende ninguém a nada, pelo contrário, ela liberta o indivíduo de tudo.
Enquanto o mundo nos faz nos apegar as coisas, pessoas, rituais, na meditação nós nos desprendemos delas e mesmo assim passamos a ser pessoas melhores.

Existem muito modismos, atividades místicas – religiosas -filosóficas e coisas excêntricas ligadas à meditação, mas isso não é meditação. Tentaram criar acessórios para a meditação, mas a meditação basta por si mesma. A força da meditação está nela ser simples.

Justamente porque é comum associarem meditação com algum “pacote” religioso ou místico, pessoas se afastam da meditação. Promessas do tipo: “Você quer aprender meditação? Antes precisa conhecer nossas crenças, rituais, teologia, costumes, seguir nossos gurus…”A meditação não precisa de teorias, nem de crenças religiosas.

A meditação não é uma fuga da vida, nem da pessoa dela mesma, nem sofisticação exterior (roupas, gestos, fazer “tipo” de meditador), nem sofisticação interior (filosofia, lógica, racionalização), para enfrentar a vida.

A meditação permite viver a vida na sua totalidade e simplicidade, sem brigar com os problemas, a partir da concentração no próprio ser.

Se ocorrer alguma mudança na vida do meditador ela virá de dentro para fora, será espontânea, natural, própria da pessoa.

O que é meditação

Meditação é uma técnica muito simples de concentração que conduz a um estado modificado da consciência, diferente do estado de vigília (quando não estamos dormindo) e do estado de sono. Os efeitos do estado modificado de consciência, variam de pessoa para pessoa.
Sem uso de artifícios de qualquer tipo (músicas, incensos, crenças, etc.), a consciência fica alterada e o praticante da meditação aprende a ficar mais concentrado no seu próprio ser.
A partir desta alteração na consciência o meditador perceberá a vida de forma mais equilibrada. Conhece-te a ti mesmo e perceberá melhor você e o mundo.

A meditação é uma atividade de desaceleração do pensamento, a qual promove o relaxamento da mente (redução do estado de alerta = estresse = aceleração), promove o relaxamento do pensamento racional (lógica) e o relaxamento dos músculos.
A meditação é auto-induzida, se faz sem instrutor, o qual serve apenas para dar algumas aulas para o iniciante em meditação, não exigindo nada mais.

A meditação usa âncoras de autofocalização. A âncora mais comum é a respiração.

Na meditação aquieta-se a mente, para se auto-perceber, sem julgar, analisar ou comparar. Meditação é um estado de auto-percepção, sem a participação da lógica, onde o praticante atinge o “estado de pura existência”. Para se entender a meditação deve-se praticá-la. Não se teoriza meditação, não se faz filosofia, nem se cria crenças, ideologias ou crendices, nem é preciso de gurus espirituais, superstições e dogmas.

A meditação se pratica simplesmente. Ela é suficiente por si mesma.
Por que não se deve usar sons, músicas, aromas, chás,  rezar, cultuar divindades, etc.? Porque estes artifícios farão o praticante se envolver em sensações, sentimentos e pensamentos, justamente o que se deve evitar na meditação.

Como funciona a técnica

Nossa mente pede raciocínios cada vez mais complexos e rápidos, até nos perdermos nos nossos próprios pensamentos e começar a girar em círculo vicioso.

Na meditação o praticante simplesmente:

1. Concentra na âncora (respiração)
2. Relaxa a lógica (não se envolve nos pensamentos, não julga, não critica)
3. Usar a lógica: envolve-se nos pensamentos
4. Abandona os pensamentos (concentra na respiração), relaxa a lógica de novo.
5. Volta a focar na âncora, deixa os pensamentos irem embora

Assim neste, concentra e desconcentra, vai e vêm, ocorre a meditação durante 20 minutos.

Estado meditativo = relaxar a lógica usando âncora, perder a âncora e voltar à lógica, focar de novo na âncora e relaxar a lógica.

A dificuldade de manter-se na âncora é o ato da meditação, apenas isso. Meditar é concentrar-se suavemente na âncora. Com a prática, cada vez menos o praticante se envolve com os pensamentos que atrapalham a concentração na âncora. Numa academia de ginástica no início o praticante também sente dificuldades, depois com o tempo, habitua-se com os exercícios, vai em frente e os resultados aparecem.

Durante a meditação, mesmo que tentemos não pensar em nada, relaxando a lógica, sempre pensamentos invadirão a nossa mente. A técnica consiste em deixar passar os pensamentos, como a árvore deixa passar o vento que agita suas folhas, como o vidro deixa passar a luz, como o céu deixa passar as nuvens, como o oceano deixa passar as ondas.

Não se trata de lutar contra os pensamentos, mas de deixá-los ir embora. Meditar não é um esforço para largar os pensamentos, mas um desprendimento do segurar os pensamentos. Usa-se uma âncora para concentrar a mente em um ponto. É um truque para relaxar a lógica e deixar os pensamentos passarem. Os meditadores usam a respiração como âncora.
Quando o meditador percebe que se envolveu com algum pensamento ou julgamento, ele simplesmente volta para a âncora e deixa o pensamento passar.

Meditar é observar a si mesmo, sem pensamentos, sem julgamento, sem querer nada, sem buscar nada, sem buscar nenhum artifício externo ou interno, sem interpretar o que quer que aconteça.

Efeitos fisiológicos da meditação

A meditação altera o estado de consciência do praticante porque altera a neuroquímica e o funcionamento do cérebro. Ela provoca a diminuição do metabolismo (redução do consumo de oxigênio pelas células), o que significa redução do consumo de energia devido à desaceleração do funcionamento do corpo e da mente. A freqüência cardíaca diminui, a respiração e as ondas cerebrais ficam mais lentas. São necessárias horas de sono para se obter o mesmo grau de redução do metabolismo, que um meditador experiente consegue após 20 minutos de meditação. Na meditação há redução dos hormônios ligados ao estresse: cortisol, aldosterona e noradrenalina. Ocorre aumento da serotonima, hormônio ligado ao bem-estar. A meditação melhora o sono (recupera-se mais).

Efeitos psicológicos da meditação

Controle maior do estresse, relaxamento do estado de alerta, antidepressivo (sentir e experimentar a vida como algo positivo), paz interior, felicidade e gratidão sem causa aparente, maior satisfação com as pessoas ao redor, com os bens materiais, com o dia-a-dia, harmonia com o mundo. A meditação favorece o desenvolvimento da espiritualidade, sem necessariamente ter uma religião.

Efeitos nos estudos e no trabalho

Melhora a concentração, o desempenho da memória, a velocidade na solução de problemas, o raciocínio e desempenho em geral no trabalho como as relações com colegas e superiores.

A meditação e a psicoterapia

O paciente terá maior tolerância à culpa, menor tensão, maior motivação para realizar mudanças, maior capacidade de auto-observação, maior auto-aceitação e expressão emocional.

Indicações da meditação

A meditação ajuda praticamente em todos os problemas emocionais, veja alguns exemplos:

Pessoas com personalidade muito exigente, impacientes, agressivas, orgulhosas, controladoras, dominadoras, egoístas, muito vaidosas ou ambiciosas, insatisfeitas com a vida, medrosas, corajosas demais; pessoas que cultivam a raiva, ressentimentos e a inveja; pessoas perfeccionistas, ciumentas, estressadas, preocupações excessivas, ansiosas, impulsivas, obsessivas, manipuladoras, dependentes, medrosas, tímidas, muito extrovertidas, arrogantes, muito competitivas, temperamentais; pessoas que gostam de se fazer de vítima, que se apegam demais às coisas (avarentos), céticos, desconfiados, auto-estima baixa, negativistas, proteladores (adiam prioridades), fazem fuga da realidade, superficiais, fúteis, desorganizadas, indisciplinadas, inquietas, distraídas; pessoas que adoram excessos (comer, beber, jogar, trabalhar), usam drogas, acomodadas, indecisas, apáticas, desligadas, teimosas e negligentes.

Em 2005 o National Center for Complementary and Alternative Medicine (NCCAM) dos EUA, publicou as seguintes indicações terapêuticas: ansiedade, estresse, dor crônica, depressão leve, insônia, problemas de humor e auto-estima, doenças cardiovasculares, aids e câncer.

Riscos da meditação

As pessoas acharem que o praticante da meditação é um “estranho” porque é feliz sem ter exatamente um motivo. Na sociedade em que vivemos a felicidade tem origem no ter um motivo: ter objetivos, ter dinheiro, ter bens, ter uma religião, ter um título no clube, ter graduação; na meditação a felicidade tem origem apenas no próprio ser, na sua existência pura. Não significa que você vai deixar de ter motivos externos, mas aprenderá a viver sem eles, ou diminuir a quantidade deles, será desapegado, mesmo que os tenha. Exemplo: você não precisa vender o seu carro de luxo para ser praticante de meditação, mas não será apegado a ele.

O iniciante na meditação pode confundir os primeiros efeitos. No início das meditações as vivências de paz profunda, a serenidade, o silêncio, a desaceleração do pensamento, podem ser interpretadas como tristeza. O nosso cérebro é uma usina de pensamentos, quando paramos a máquina de pensamentos, a sensação pode ser confundida com depressão ou tristeza.

Respiração e Meditação

A respiração usada na meditação é a chamada respiração
abdominal ou diafragmática. Ela é nasal, silenciosa, harmônica e lenta.

Como fazer a respiração: ao inspirar pelo nariz, a barriga movimenta-se para frente, ao expirar pelo nariz a barriga vai para trás. O tempo de inspiração e de expiração deve ser o mesmo e a respiração deve ser feita sempre pelo nariz. O ar entra e sai do corpo como se estivesse fazendo um carinho; não há resistência, nem ruídos. Evita-se os movimentos do corpo. Apenas respira-se, sem interpretar ou julgar nada.

Técnica 1 de meditação (natural)

Use esta técnica nas primeiras quinze ou vinte práticas. Sente-se numa cadeira simples, mantenha a coluna reta,
sem tencionar o corpo. Mantenha a cabeça ereta, olhe em linha reta,sem deixar a cabeça cair. Feche os olhos. Desaperte o cinto e use roupas folgadas. Comece prestando a atenção no fluxo do ar que entra e sai pelo nariz.
Não controle a respiração. Respire naturalmente. Observe sua barriga que sobe e desce quando você inspira e expira.Quando pensamentos invadirem sua mente concentre-se na respiração.
Preste atenção em cada inspiração e expiração, quando se distrair, volte para a respiração.
Mantenha a sua atenção alerta. Não crie expectativas e não interprete nada durante a meditação. Quando terminar a prática faça três respirações amplas e suaves, abra os olhos, fique em silêncio por um minuto mais ou menos.

Técnica 2 de meditação (Três tempos)

Use esta técnica após as primeiras quinze ou vinte práticas da técnica anterior. Sente-se numa cadeira simples, mantenha a coluna reta, sem tencionar o corpo. Mantenha a cabeça ereta. Feche os olhos. Desaperte o cinto e use roupas folgadas. Comece prestando a atenção no fluxo do ar que entra e sai pelo nariz.
Não controle a respiração. Respire naturalmente por alguns minutos.

Em seguida, inspire contando mentalmente 1, 2, 3 deixando a barriga ir para frente, bem lento. Pare a respiração, como ar preso, por um segundo ou dois, depois expire contando 1,2 3, deixando a barriga voltar lentamente. Aos poucos conte de 1 a 3 até o ritmo mais lento que conseguir, sem se sentir desconfortável.
Durante a respiração mantenha a atenção (sem julgamentos) focada dois a três dedos acima do umbigo, no fluxo de ar que entra e sai e na barriga que vai e vem. Sempre que um pensamento ou ruído tirar o foco da respiração volte para a respiração. Faça isso durante 20 minutos. Não crie expectativas e não interprete nada durante a meditação. Quando terminar a prática faça três respirações amplas e suaves, abra os olhos, fique em silêncio por um minuto mais ou menos.

Dicas importantes

1. Existem muitas técnicas de meditação. Inicie com a técnica 1. Depois poderá poderá aprender novas técnicas, se achar interessante.
2. Não altere a técnica escolhida. Ela é resultado de séculos de uso.
3. Escolha um lugar tranqüilo, silencioso, sem luz excessiva, sem ruídos que o distraiam.
4. Medite uma hora depois de uma refeição leve. Após refeições pesadas aguarde 3 horas.
5. Reserve um horário diário; se não puder faça-o em qualquer hora do dia.
6. Use uma cadeira com o encosto, mantenha a coluna reta, corpo relaxado, evite apoiar a cabeça ou deitar, para não adormecer.
7. Pratique por 5 minutos no mínimo e no máximo 10 minutos. Uma vez por dia, no máximo duas vezes. Meditar não é um ato eventual, um passatempo de final de semana. Pratique regularmente. Para obter resultado na academia de ginástica você precisa malhar. Obtenha benefícios permanentes na meditação usando apenas 10 minutos do seu dia. Medite todos os dias, ou três vezes por semana e obterá resultados relevantes já no primeiro mês.
8. Não crie objetivos durante a meditação. Você já têm objetivos demais na vida. Durante a meditação apenas relaxe e obtenha prazer, paz interior. Evite usar a lógica, questionar, raciocinar ou analisar qualquer coisa, durante 5 ou 10 minutos. O único objetivo que você pode criar é praticar a meditação por pelo menos um mês, todo o dia e verificar os benefícios.
9. Aproveite 10 minutos do AQUI E AGORA. Não pense no passado e no futuro. Simplesmente tente esvaziar a mente. Você não conseguirá afastar todos os pensamentos, entretanto, com a prática constante, diminuirá muito a invasão de pensamentos.
10. Não tente copiar os outros.
11. Não tente competir consigo mesmo.
12. Vá para a meditação como uma criança parte na direção dos brinquedos. Não busque resultados. Use os 10 minutos para praticar o ócio, a inutilidade, o relaxamento, a alegria. Nada de expectativas. Apenas curta. Medite por meditar.  Porque dá paz interior e outros benefícios. Quanto mais desinteressada e sem objetivo for sua prática, mais cedo os efeitos da meditação virão. Meditação se faz, não se entende; pratica-se, não se raciocina. Você não controla a meditação para dar resultado, ela própria se gerencia. O que você controla é a respiração.
13. Compense quase um dia todo de agitação no mundo com 10 minutos de meditação. Com a prática da meditação você será uma pessoa mais tranqüila o dia todo.
14. Meditar é coisa para corajosos. Talvez seja a maior demonstração de coragem que alguém é capaz de dar, porque terá que “parar” durante 10 minutos, numa sociedade que proíbe parar. Quando você medita você quebra bloqueios, rompe suas próprias correntes e viva na sua totalidade.

Durante 10 minutos você se condiciona a ter um estado melhor de consciência de si próprio e maior relaxamento físico. Este estado poder ser transportado para o resto do seu dia traduzindo-se em boas maneiras, ética elevada, boas relações humanas, boa qualidade de vida, saúde física e mental.

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Psicólogo Flávio Roberto Pereira

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