Personalidade “O Bonzinho”, Querido.

Por Flávio Pereira

bonzinhoPersonalidade orientada para o amor. Mas dá e é possessivo.

Leia o texto abaixo, depois leia o livro A Maldição dos Bonzinhos.

Pontos positivos da personalidade: generoso. Caloroso. Prestativo.
Atencioso. Anfitrião. Altruísta. Protetor. Facilitador. Voluntarioso.
Amigo. Responsável. Trabalhador. Otimista. Adaptabilidade.
Hábil nas relações. Envolvente. Empático (coloca-se no lugar do outro).
Conhecido por “pessoa querida”, adorável. Solidário.
Sensível às necessidades dos outros. Habilidade em entender as pessoas.
Sabe levantar o moral alheio. Gosta de elogiar e tem um toque sedutor que fazem as pessoas se sentirem bem à sua volta.

Pontos negativos: faz demais pelos outros. Dá mais do que recebe. Tem dificuldade em dizer não ou recusar um pedido de ajuda. Busca em excesso ser amado, afeição e aprovação dos outros. Consegue mostrar o aspecto da personalidade que agrada o outro. Chega a esquecer de si mesmo, a perder a identidade e a ter muitos “eus” no impulso de querer agradar. Sua forma de controlar os outros é prestar ajuda e se tornar indispensável. Orgulha-se por ter uma imagem de “boa” pessoa. Tem como vício emocional o orgulho por ajudar as pessoas e achar que sem ele o mundo ficaria empobrecido. Seduz, agrada, bajula para agradar e assim cria dependência nos outros. Torna-se agressivo e dominador. Tende a pensar que as pessoas não são muito reconhecedoras. Clama que ajuda os outros de maneira desinteressada e que não espera nada em troca. Desconhece que dá para receber algo em troca. Dissimulado, falta de sinceridade: finge ser bonzinho para obter o que quer. Não reconhece as próprias necessidades. Sofre com o hábito de se tornar irresistível ao outro e o desejo de fazer o que quer de fato. Manipula os outros para fazer com que aceitem uma ajuda de que eles não têm vontade ou necessidade, culpabilizando-os caso eles a recusem. Gosta de se sentir indispensável, mas em geral não tem necessidade de estar em evidência. Fica feliz no papel de “vice”. Revela-se pouco, no entanto espera que os outros se revelem completamente. Tem dificuldade para tomar decisões objetivas porque fica confuso quando percebe à sua volta necessidades que ele pode satisfazer.

Temendo não fazer o bastante se aproxima do outro para se convencer de que é querido. Concentra-se em cultivar amizades agradando, ajudando e querendo se tornar imprescindível. Possessivo, tenta ganhar direitos sobre as pessoas colocando as necessidades alheias acima da própria. Quando não consegue a atenção queixa-se da saúde, mostra quanto fez pelo outro. Para salvar a auto-imagem, racionaliza o comportamento acusando as pessoas de “egoístas e ingratas”. Teimoso, manipula para manter o outro na sua dependência e impedir que se afaste. Quando desesperado por obter amor julga-se no direito de ter o que quer por haver sofrido tanto, gosta de ser o “coitadinho”, agindo de modo impróprio, intempestivo, inconseqüente, agressivo, coercivo e perigoso. Ao perceber que ele próprio foi egoísta ou fez o outro sofrer fica arrasado, age como a pobre vítima e obriga o outro a cuidar dele.

Forte identificação: com os sentimentos baseados nas reações que despertam nas pessoas.
O que valoriza: a auto-imagem positiva: “sou alguém afetuoso, concentrado nas boas intenções”.
O que evita: as próprias carências, frustrações e ressentimentos.
Tem problemas com: ênfase nas necessidades dos outros; negligência das próprias.
Resistência: ao reconhecimento dos próprios sentimentos e necessidades.
Tenta manter a auto-imagem de: amoroso, atencioso, carinhoso, gentil, afetuoso.
Mensagem do superego (juiz interno):
“você estará num bom caminho se for amado pelos outros e estiver perto deles”.
Dúvidas cruéis e sofrimento
: porque meu amor depende do amor outro e como ter a certeza de que sou amado? Se não sou amado porque me importar? Luta a vida toda para se aproximar dos outros e ainda assim sente-se pouco amado.

Como manipula os outros: descobrindo as necessidades e desejos alheios e, assim, criando dependências.
Regra de chumbo: temendo não ser querido ou amado, faz o outro sentir-se indigno de seu amor, generosidade ou atenção.
Medo fundamental:
o de não ser amado ou querido simplesmente pelo que é; de estar afastando de si os amigos e entes queridos.
Desejo fundamental:
sentir-se amado.

Sentimento forte (paixão) ou vício emocional: o orgulho, a arrogância, a soberba. Gaba-se por ajudar e por não precisar de ajuda, ser auto-suficiente. Na maioria das vezes não tem consciência disso. A soberba consiste na incapacidade ou falta de disposição para reconhecer o próprio sofrimento. Concentrado em “ajudar” o outro, nega suas próprias necessidades. Vanglória: orgulho das próprias virtudes.
Compulsão:
evita reconhecer suas carências. Quanto mais forte a compulsão, mais tem de compensar esse desconhecimento de si ajudando a qualquer preço.

Mecanismo de defesa: repressão de comportamentos e sentimentos. Reprime aquilo que julga que não lhe valeria a aprovação dos outros. Revela-se pouco.
Potencial patológico:
extrema tendência ao auto-engano; comportamentos coercivos, “assédio”, manipulativo, amor obsessivo, agressividade reprimida, sintomas físicos de problemas emocionais (somatização), distúrbios alimentares.

Tipo sadio: deixa de acreditar que não têm o direito de cuidar de si, assume seus próprios sentimentos e necessidades. Ama incondicionalmente e é humilde.  Lembra que é de sua verdadeira natureza ser bom consigo mesmo, ter boa vontade e compaixão autêntica para com seus semelhantes. Torna-se mais perceptivo e transigente consigo mesmo.
Pensamento e ação curativa: reconhece o que deseja a partir de si mesmo e não por meio da atenção dos outros ou do valor que lhes dão; desenvolve a virtude da humildade.
Reflexão: talvez eu possa deixar o outro fazer isso. Talvez essa pessoa possa estar demonstrando afeto por mim, só que a seu modo. Eu posso fazer algo de bom por mim.

Pensamentos do tipo; processador inconsciente:

“Eu posso, eu sei, eu faço”. 

Controle e possessividade: “onde você estaria sem mim?”
Sedução: “posso fazer qualquer um gostar de mim.”
Perde o limite: “não aceitarei um não como resposta”.

Profissões / atividades atraentes: atividades que incluem posição de ajuda. Associar-se a um líder poderoso. Braço – direito que dá conselhos ao superior. Exemplo: secretária executiva do diretor. Defensor dos desfavorecidos. Voluntário de causas de ajuda ao próximo. Empregos que envolvam atividade sedutora. Área em que haja relacionamentos com pessoas. Vendas, RH, secretariado e áreas assistenciais.

Profissões / atividades não atraentes: empregos que não permite ser apreciado.

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Psicólogo Flávio Roberto Pereira

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