Personalidade Melancólica e Dramática

Por Flávio Pereira

como-diferenciar-melancolia-depressao-e-ansiedade-60-307Orientada para o senso do belo, a vida passional e a melancolia.

Presa fácil das emoções, este tipo de personalidade vive triste, é dramático, sonha muito com o que é inatingível ou difícil de obter.

Pontos positivos: aprecia a estética, a beleza e a originalidade.
Gosta de se vestir bem ou ser excêntrico. Criatividade. Expressividade.
Calor humano. Apoio ao próximo. Solidário. Carismático. Sensível.
Ajudam os outros em situações de sofrimento. Artístico. Competitivo.
Conquistador. Exigente. Refinamento. Esnobismo. Gentileza.
Bom gosto nas coisas. Elegante em geral. Companhia divertida. Anfitrião.
Romântico.

Pontos negativos:  temperamento instável. Carência emocional. Excessivamente envolvido e apegado. Fragilidade (magoa-se facilmente). Presa fácil das emoções. Atraído pelo extremo da emoção, das paixões muito fortes. Atraído pelos altos e baixos das emoções. Dramático. Temperamental. Muito sensível. Movido pela culpa. Dificuldade para aceitar crítica. Extremamente crítico dos outros. Pouco objetivo. Queixoso. Melancólico. Depressivo. Mórbido. Egoísta. Voltado para si mesmo. Faz-se de “a pobre vítima”. Atormentado. Irônico. Dá grande importância à própria imagem. A escolha da roupa tem grande valor para demonstrar para si mesmo e aos outros o que ele está vivendo. Uso de roupas extravagantes coloridas ou totalmente pretas ou criteriosamente escolhidas e consideradas banais pelos outros. As pessoas acham o tipo charmoso ou afetado. Então ele fica convencido de que é autêntico. Busca constantemente o que é diferente. Deseja ser único a qualquer preço. Procura ser visto como o especial. Acaba sendo visto pelo outros como artificial. É movido pela inveja: o que os outros têm e ele não tem e no que os outros poderiam ser mais apreciáveis que ele, tem o foco da atenção deste tipo de personalidade. Vive fazendo comparações em relação aos outros. A insatisfação é sua característica comum. Vive com o sentimento de que falta alguma coisa em sua vida. Tende a idealizar o que está ausente e achar defeitos no que está presente. Sente-se inseguro quanto à sua própria identidade. Perturba-se pelas mudanças incessantes das próprias emoções. Tem sentimento contínuo de tristeza (melancolia), mesmo nos momentos de alegria. Sente-se vivo quando tomado por emoções extremas. Emocionalmente instável. Tendência a ciclotomia: passa rapidamente da mais intensa alegria para a mais profunda tristeza. Convencido de que existe sua alma gêmea sempre está em busca do parceiro ideal. É parceiro possessivo e apaixonado. Ama demais. Procura viver profundas emoções. Centrado na emoção e no que falta. Tem o imaginário muito rico o qual muitas vezes é mais forte que a realidade. Envolve-se em atividades em que for original e lhe permitir usar a criatividade, tarefas que apelem para o senso estético. Ama o belo e desejam dividir com os outros. Desperdiça a vida buscando fantasias fúteis. Fica desesperado por tornar-se aquilo que fantasia. Inveja a estabilidade ou felicidade alheia. Odeia em si o que não corresponde ao que é fantasiado. Faz-se de vítima e procura atrair salvadores. Faz auto-sabotagem. O tipo é dramático e investe em “ter problemas”. Nunca está satisfeito com a vida.

Temendo não confiar e si mesmo ou de não ser apreciado na sua singularidade então se fazem de difícil, recorre à imaginação, usa a fantasia e o estilo para reforçar a sua individualidade e começa a sonhar que alguém que o salve. Se faz de difícil para testar o outro e saber se está interessado nele. Melancólico, distante, acanhado, acredita que sua fragilidade atrairá um salvador. Temendo desperdiçar a própria vida inveja a estabilidade alheia, eximem-se das “regras” e torna-se pretensioso, sensualista e improdutivo. Para salvar a auto-imagem repudia aqueles que discordam da visão que ele tem de si mesmo e de suas exigências afetivas. A raiva reprimida resulta em depressão, apatia e fadiga constante. Desesperado para tornar-se aquilo que vê em sua fantasia, faz fuga para um EU FANTASIOSO. Odeia tudo em si que não corresponde ao que é fantasiado, detesta a si mesmo e aos outros por não salvá-lo. Passa a sabotar o que lhe resta de bom na vida. Convencido de que desperdiçou a vida nas fantasias fúteis, pode recorrer a comportamentos autodestrutivos para atrair salvadores. Tenta por fim à própria vida para escapar ao negativismo ou pode cometer crimes passionais.

Forte identificação: alteridade (apenas existo a partir do outro, da visão do outro); possuir defeitos; com as reações emocionais.
O que busca: um salvador, alguém que o compreenda e dê apoio à sua vida e aos seus sonhos.
Resistência: ao reconhecimento de qualidades positivas autênticas em si mesmo.
Tenta manter a auto-imagem de: diferente, singular, sensível, delicado, consciente de si mesmo, profundo, honesto consigo mesmo.
Medo fundamental:
o de não ter nenhuma identidade, nenhuma importância pessoal; medo do abandono, que ninguém se incomode com ele; de não encontrar apoio suficiente para tornar-se o que é; medo de estar arruinando a própria vida e desperdiçando as oportunidades.
Desejo fundamental:
ser capaz de encontrar a si mesmo e sua importância como pessoa; criar uma identidade a partir de sua experiência interior.

Mensagem do superego (juiz interno): “você estará num bom caminho se for fiel a si mesmo.”
Dúvidas cruéis e sofrimento: o que significa ser fiel a si mesmo? O tipo se esforça tanto por ser único que acaba descartando muitas das opções que a vida lhe dá.
Como manipula os outros: limitando-lhes o acesso para mantê-los interessados; bancando o “exigente” e aferrando-se aos que o apóiam. Sendo temperamental e fazendo os outros “pisarem em ovos”.
Regra de chumbo: temendo não ter uma identidade ou importância como pessoa, o tipo trata o outro com desdém, como se não fosse “ninguém” ou valesse nada.
Sentimento forte (paixão), vício emocional: cultiva a inveja, a cobiça, as comparações negativas. A inveja leva o tipo a pensar que os outros têm qualidades que ele não possui.
Compulsão:
evitar a banalidade e tudo o que é comum.

Mecanismo de defesa: introjeção. Tornam suas as críticas feitas a ele mesmo. Sente-se responsável pelo que os outros julgam negativo a seu respeito. Quando o sofrimento causado pela introjeção é muito forte pode ser sublimado sob a forma de uma criação artística.
Potencial patológico:
extrema instabilidade emocional. Desesperança. Raiva reprimida resulta em depressão, apatia e fadiga constante. Obsessão pela morte. Morbidez. Negação da vida. Ódio de si mesmo. Auto-rejeição. Explosões de raiva, hostilidade e ódio. Episódios de auto-sabotagem e rejeição de influências positivas. Dependência das pessoas. Relacionamentos instáveis. Distúrbio de personalidade narcisista, fugidia e histriônico (auto-dramatização, afetado, teatralidade, exagero de emoção). Crimes passionais, assassinato e suicídio. Sensação opressiva de alienação de si e dos demais.

Tipo  sadio: deixa de acreditar que tem mais defeitos que os outros, que os outros são melhores que ele e assim se libertam. Define sua própria importância e identidade pessoal. Explora de forma sadia sua criatividade e sentimentos. Aprende a se aceitar como é, as coisas comuns da vida, comunica-se de forma natural, aceita as qualidades alheias e afasta a inveja.
Pensamento e ação curativa:
abandona o passado, renova-se com as próprias experiências. Lembra-se de que sua verdadeira natureza é perdoar e usar tudo o que estiver ao seu alcance para seu crescimento pessoal. Reconhece o que deseja a partir de si mesmo e não por meio da obtenção do que falta ou no que está fora.

Reflexão: Talvez não haja nada de errado comigo. Talvez as pessoas de fato me entendam e me amparem. Talvez eu não seja o único a me sentir assim.

Pensamentos do tipo, processador inconsciente:
Pretensioso: “faço o que quero quando e como”.
Fica reservado, se fecha: “tenho um eu secreto que ninguém conhece”.
O tipo é hipersensível e acha que as pessoas são duras e cruéis com ele: “Todos me põem para baixo”; “Ninguém me compreende”.

Idealização: “Aí, sim, as coisas poderiam ser melhores”.
Centrada no que falta: “Se pelo menos fosse assim”.
Insatisfação: “Bom dia! - Diz João - Só se for para você! - Responde Vera”.

Profissões / atividades atraentes: área em que a criatividade e a originalidade possam ser expressadas. Estilismo, decoração, designer e jornalismo. Atividades ligadas a conteúdos artísticos, místicos e da mente humana. Artista. Decorador. Psicólogo. Psiquiatra. Conselheiro. Metafísico. Parapsicólogo. Professor de yoga. Cantor. Modelo fotográfico. Bailarino. Dono de ateliê, lojas de antiguidades. Ativistas dos direitos humanos ou animais. Feminista. Religioso. O tipo  pode ter dois empregos: um que dá dinheiro e o outro para expressar seus talentos artísticos.

Profissões / atividades não atraentes: aquelas que são muito comuns como serviços administrativos, burocráticos e onde talentos específicos não podem ser vistos. Não gosta de trabalhar em posição servil, nem em ambiente comum.

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Psicólogo Flávio Roberto Pereira

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